terça-feira, 26 de julho de 2011

Vida efêmera

Na última segunda-feira, 25 de julho, meu estimado padrinho partiu desse mundo, depois de alguns dias de dor na UTI Cardíaca da Santa Casa. O fato é que não sabemos lidar com a morte, e isso tem uma explicação: fomos feitos à imagem e semelhança de um Deus eterno, infinito, que criou todas as coisas. No entanto, como pecadores, somos mortais! E como é difícil abrir mão do convívio de alguém tão querido, saber que não o teremos mais para conversar, discutir atualidades, fazer-nos sorrir... Mas, em meio a isso tudo, algo nos conforta: ele agora está descansando, longe de sondas, remédios de hora em hora e fraldas geriátricas, as quais ele detestava!

Salomão, conhecido com o rei mais sábio que já existiu, escreveu no Livro de Eclesiastes (capítulo 7, versículo 2) que “é melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério!” Será que essa frase foi escrita em um lapso de loucura? Não, não! O rei aqui se referia ao fato de que em um enterro somos levados a pensar em nossas vidas e lembrarmos o quanto efêmeras elas são; enquanto que em uma festa pensamos apenas em satisfazer nossos prazeres e, muitas vezes, não medimos a consequência dos nossos atos.

Que este momento, então, desperte-nos para a necessidade de valorizarmos e cuidarmos sempre de nossos queridos. Que não percamos a oportunidade de dizer “eu te amo” ou resolver um mal entendido hoje. Porque o hoje, o agora é o que temos; o amanhã a Deus pertence, e não poderia estar em melhores mãos.
A Bíblia, que é a Palavra de Deus e, portanto, o melhor meio para o conhecermos verdadeiramente, diz também no livro de Jó (capítulo 7, versículos 9 e 10) que “assim como a nuvem se desfaz e passa, assim aquele que desde à sepultura nunca tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar jamais conhecerá”; isso porque “a sua mente fica entregue ao esquecimento (cf Eclesiastes 9:5).

Sendo assim, que possamos aproveitar melhor nossos dias de vida, escolhendo de maneira sábia o caminho a trilhar e ter um relacionamento íntimo com o nosso Criador, enquanto podemos fazê-lo.

O padrinho Ribamar, para mim, sempre foi sinônimo de amor, inteligência, ética, dedicação, bom humor, organização e caráter. Quanta coisa ele nos ensinou com seus atos, palavras, abraços e olhar... E é isso que devemos guardar em nossos corações – o grande irmão, tio/pai, compadre, padrinho e amigo que ele foi! Que Deus nos abençoe, console e fortaleça. O padrinho Ribamar nos fará muita falta, mas é chegada a hora dele descansar. Que assim seja!

Essas palavras foram escritas logo que cheguei ao seu velório... o que era pra ser apenas um desabafo, virou texto e foi lido por mim no sepultamento realizado nesta terça-feira, 26 de julho. Tenho certeza que os aplausos recebidos ao final não foram por minhas palavras, mas pela pessoa inestimável e mais amável que eu já conheci e tive o prazer de ter como meu padrinho de nascimento e casamento. Ele partiu aos 81 anos, mas nos deixou um grande legado de vida! Adeus, querido!